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O que se aprende ao gerir uma pequena empresa

19/12/2025
5 min
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Não há nada como os conselhos de empreendedorismo e a sabedoria de quem já viveu e sentiu na pele os altos e baixos de criar uma pequena empresa. Para a nossa sessão de Perguntas e Respostas, recebemos Noor Houtakkers, proprietária da Shaggies, e Vasilis Zoupas, CEO e cofundador da Woli.

A Woli dá aos jovens com idades entre 10 e 18 a oportunidade de aprenderem a gerir bem o seu dinheiro através da sua primeira ferramenta bancária digital, aplicação de gestão financeira e cartão bancário pré-pago inteligente. A Shaggies oferece soluções completas – expertise, equipamentos e espaço de trabalho - para profissionais que trabalham com "tufting" — uma técnica têxtil utilizada na criação de peças exclusivas de arte, vestuário e mobiliário através da inserção de laços de fio ou lã num tecido base .

Partilham as suas lições, estratégias de crescimento e as suas dicas para proprietários de pequenos negócios.

PT - The things you learn Image

P. Qual foi o maior desafio (ou desafios) que enfrentaram enquanto empresa e como o superaram?

Vasilis: "Em qualquer percurso de uma startup, o mais difícil é mesmo arrancar — sair da nossa zona de conforto e deixar tudo para trás para nos focarmos num conceito totalmenteinovador."

Noor: "Acho bastante difícil conseguir desligar. Tento proteger as minhas segundas-feiras, mas acabo sempre por verificar os emails ou fazer mais listas de tarefas. É difícil abstrair-me, mesmo que seja só por um dia. Mas tenho melhorado, sobretudo porque as pessoas à minha volta me obrigam a isso."

P. Qual foi o melhor conselho que receberam ou descobriram enquanto empresa — e que conselho dariam a uma startup?

Vasilis: "Há dias bons e dias maus. É importante aceitar esta ideia desde o início."

Noor: "O meu pai disse-me: 'Dedica tempo às pessoas'. Passamos tanto tempo atrás dos nossos ecrãs,mas quando alguém arranja tempo para vir ter connosco, temos de arranjar tempo para essa pessoa. Dedicar a minha energia ao que está a acontecer à minha volta mantém-me com os pés na terra e lembra-me por que estou a fazer isto: para ter colaboradores e clientes felizes."

P. Quais são as competências ou atributos mais importantes que qualquer empresário precisa para ter sucesso?

Vasilis: "Uma competência fundamental é compreender e dar prioridade às necessidades das pessoas — tanto dos colegas de equipa como dos clientes. Ter isto sempre presente é o ingrediente principal para continuar a progredir."

Noor: "Pode soar cliché, mas, na minha opinião,é a gratidão. Por vezes as pessoas que gerem negócios tendem a tornar-se bastante ambiciosas. Quero fazer as coisas, ver resultados e ter sucesso imediato. Mas a realidade não é bem assim. Às vezes é necessário dar um passo atrás e perceber o que já se conquitou. O sucesso pode estar na coisas mais pequenas

P. De que forma a tecnologia impulsionou o sucesso do vosso negócio?

Vasilis: "Somos uma aplicação e um cartão bancário orientados para adolescentes, por isso, a tecnologia é o principal facilitador do nosso produto. Está no cerne da nossa inovação e é a razão pela qual nós — sendo uma equipa pequena — conseguimos ultrapassar as empresas estabelecidas e os operadores tradicionais."

Noor: "Estar ativa nas redes sociais resulta diretamente em mais interação, mais reservas e numa maior rede de contactos criativos. No início foi difícil perceber o que queremos que os nossos seguidores vejam e o que eles querem ver. Agora, as redes sociais são um dos meus maiores canais de audiência. Também aprendi que sou a minha maior cliente. Tento incluir nos meus próprios canais aquilo que gosto de ver nas redes sociais."

P. Qual foi o maior erro que cometeram enquanto empresários e o que aprenderam?

Vasilis: “Já estive envolvido em empresas onde sei que não dava o devido valor à sua missão. Acreditar no propósito central da empresa é essencial para alcançar resultados extraordinários. Quando estamos conectados à missão e ao ‘porquê’ da organização, conseguimos ir além e gerar impacto real.”

Noor: "O meu foi levar as reclamações ou os problemas mais prementes como um reflexo direto da minha pessoa. Aprendi a ser muito mais profissional e a encará-los como pontos de aprendizagem para levar comigo para situações futuras."

P. Como se mantêm a par das tendências e mudanças do setor, e que papel teve a aprendizagem contínua no vosso sucesso?

Vasilis: "A tecnologia é uma indústria em constante mudança, num estado de contínua evolução. Operar numa empresa de tecnologia exige, por definição, que as pessoas-chave estejam continuamente a par das novas tendências do setor e das tendências de negócio adjacentes."

Noor: "Manter-me ligada a uma pequena rede de negócios criativos ajuda-me a aprender muito. Mantemo-nos em contacto, ajudamo-nos mutuamente e usamos essa rede para acompanhar as tendências e as mudanças no setor. Quando comecei, sentia-me muito sozinha, mas percebi que podia aprender com pessoas em situações semelhantes. É um sistema de apoio muito forte."

P. Quais são as vantagens — e desvantagens — de ser uma empresa mais pequena?

Vasilis: "Ser pequeno significa ser ágil. A tomada de decisões é ultrarrápida e poucas pessoas conseguem definir uma estratégia coesa de forma muito eficaz. Pelo lado negativo, conquistar a confiança dos clientes e criar parcerias comerciais é muito mais exigente em comparação com os operadores já estabelecidos."

Noor: "Sinto que tenho tudo sob controlo. A empresa é suficientemente pequena para eu conseguir supervisionar tudo e manter-me a par de cada parte. A desvantagem é que a maior parte do trabalho já não é muito criativa. Às vezes sinto-me um pouco sobrecarregada com todas as outras coisas que advêm de ter um negócio. Faz parte do trabalho, mas o tempo passa a voar, por isso tento equilibrar o trabalho administrativo com o criativo."

P. Como identificaram o vosso mercado-alvo e como o alcançam, envolvem e mantêm?

Vasilis: "Identifiquei o mercado-alvo da Woli ao perceber a lacuna existente na indústria dos pagamentos digitais. A nova geração de crianças e adolescentes cresce como nativa digital. No entanto, a solução para a sua semanada está longe de ser inteligente e digital. Os clientes estão no centro da nossa estratégia, e usamos várias ferramentas para fortalecer esta relação, desde CRM a campanhas personalizadas e programas de recomendação. Manter um elevado nível de apoio ao cliente e obter informações diárias dos clientes está no topo do nosso planeamento."

Noor: "Tenho sempre isso em mente. Descobri o tufting através do Instagram, Mas sei que a maioria das pessoas nunca ouviu falar, por isso tento convencê-las de que é algo que vale a penaconhecer. Quero que fiquem tão apaixonadas quanto eu fiquei.

Também participo ocasionalmente em mercados criativos, onde o público já se interessa, à partida, por estas atividades mais criativas. Os nossos clientes também são muito abertos a dar feedback ou a contar como chegou até nós. Dessa forma, descobrimos o que funciona melhor para chegar a novos clientes e manter o contacto com os atuais."

P. Que táticas de marketing ou promoção têm sido mais eficazes e porquê?

Vasilis: "Testamos vários canais para distribuir a Woli nos nossos mercados-alvo. No segmento dos adolescentes, identificámos que os programas de recomendação são muito eficazes, assim como a imensa capacidade viral do TikTok como meio social para criar a nossa comunidade."

Noor: "O Instagram e os anúncios no Instagram/Facebook funcionam melhor para nós. Quando temos um evento numa cidade diferente, tentamos segmentar essas áreas com anúncios. Temos tido muita adesão, por isso tem sido um grande sucesso. Para os nossos workshops regulares, o passa-palavra é o mais eficaz. A maioria dos nossos participantes ouviu falar de nós através de outras pessoas ou viu-nos no Instagram."

P. Temos assistido a enormes mudanças no mundo do trabalho nos últimos anos. Quais são os vossos planos para o futuro do vosso negócio e como vêem a sua evolução?

Vasilis: "Os últimos anos criaram enormes mudanças na forma como pensamos o trabalho. O perído da pandemia impulsionou a digitalização em todos os setores, o trabalho remoto tornou-se a nova norma, os pagamentos cashless (sem dinheiro) aceleraram e a IA é agora um termo da moda e uma ferramenta que qualquer pessoa pode usar.

Planeamos seguir estas tendências e incorporá-las nas nossas operações, mas com uma abordagem modesta. Por exemplo, em termos de trabalho remoto, apoiamos fortemente o modelo híbrido. Acreditamos — e desejamos — que nenhuma tecnologia possa substituir a beleza da interação humana e a cultura de equipa que esta cria."

Noor: "Sem dúvida! A vida profissional mudou imenso desde a pandemia. Eu trabalhava no setor editorial, mas durante o confinamento comecei a dedicar-me mais aos trabalhos manuais e descobri o "tufting", o que mudou a minha vida. Os últimos dois anos foram incrivelmente divertidos, e espero aproveitar esta onda por mais algum tempo e crescer ainda mais. O meu sonho é ter um negócio onde os criativos possam aprender novas competências, conectar-se, trabalhar e exibir as suas criações. "

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